Terça-feira, 17 de Junho de 2008

O QUE SE ENTENDE POR MEDICINA PREVENTIVA EM SAÚDE ORAL



                    Trata-se de como o próprio nome sugere duma forma de exercício da medicina que pretende antecipar-se ao surgir da doença, ou pelo menos despistá-la no seu início, por forma a que os males e consequentemente os custos para o seu tratamento (medicina curativa), sejam mínimos ou muito menores do que quando a doença já se encontra perfeitamente estabelecida e a causar sofrimento ou incapacidade de parte ou da totalidade das funções do aparelho estomatognático, como sejam a estética, a diccional, a mastigatória, e quantas vezes a própria articulação temporo-mandibular, passa a sofrer de disfunção.

                    Os dentes, que são parte importante dum todo, que como já atrás se disse é o aparelho estomatognático, podem perder-se por três formas fundamentais, a saber:
                     1) Por CÁRIE; 

                     2) Por DOENÇA PERIODONTAL;
                     3) Por TRAUMATISMOS.

                    Ora a primeira causa, ou seja a CÁRIE, que é uma doença infecciosa caracterizada por um amolecimento promovido pela desmineralização e desagregação das estruturas duras dos próprios dentes, é perfeitamente possível preveni-la ou pelo menos controlá-la, por uma higiene pessoal e alimentar apropriada e com visitas regulares á médico especialista na área. 
                   Sendo assim e como a sabedoria popular muito bem expressa no seu aforismo, “de pequenino é que se torce o pepino”, é pois, logo de criança que as pessoas deverão começar a tomar contacto com o médico que os irá acompanhar pela sua vida fora, ainda sem apresentarem qualquer queixa, pois neste caso já o fazem dentro do âmbito da medicina curativa, dado que as dores dentárias ou odontalgias são já muitas das vezes um sinal de grande destruição das peças dentárias, quando não já com abcessos em formação, e nessas circunstâncias torna-se muito difícil para o médico dentista exercer as suas acções duma forma pacífica, e confortável para a criança, para o jovem e mesmo para o adulto, tornando quantas vezes esse primeiro contacto, num futuro “gatilho” em que o médico dentista é por associação de ideias ou reflexo condicionado, sinónimo de dor e sofrimento.
                    É por esse facto, e não só, que defendemos que os primeiros contactos devem fazer-se sem sofrimento, para que esse já aludido “reflexo condicionado”, seja assimilado pela criança como uma coisa boa e agradável, que lhe permitirá ao longo de toda a sua vida manter uma boca sã, com toda a qualidade de vida que tal acarreta, e não como uma coisa má e nefasta que negativamente, também a sabedoria popular volta a referir-se dizendo, quando qualquer coisa não agrada, “é como quem me arranca os dentes”.
                   As acções que o Médico Dentista pode desenvolver não só nas crianças e jovens, como também nos adultos, no âmbito da prevenção são:
                   a) Despiste das Más Oclusões, grande parte delas prevenidas pela manutenção duma dentição temporária ou mista, saudável, evitando futuramente recurso a correcções com aparelhagem removível ou fixa, sempre, mais ou menos incómoda, dispendiosa e morosa; 
                  b) Despiste de agenesias (falta de gérmenes dos dentes de-finitivos), de dentes supranumerários (dentes a mais), de dentes inclusos, de dentes retidos, de lesões apicais dos dentes, de quistos e outras lesões tumorais, de cáries interproximais (entre os dentes e não visíveis á simples observação), e outras alterações ósseas ou dentárias, o que só se consegue com recurso a exames imagiológicos desde o Rx Panorâmico ou Ortopantomografia, que nos dá um aspecto geral de ambos os maxilares, os Rx intra-orais (apicais, Bite Wings, Oclusais), até ao RVG (Visiografia), todos estes passíveis de ser feitos em consultórios bem equipados, até ao recurso a outros exames radiológicos já de prática em gabinetes de imagiologia próprios para o efeito, como o caso do TAC (Tomografia Axial Computorizada), ou mesmo a Ressonância Magnética.
                    Consideramos que sempre que possível a ORTOPAN-TOMOGRAFIA, é um exame que se deve fazer sempre numa primeira consulta, não só para despiste imediato do que não é observável directamente, como constituirá um exame de referência para de futuro, complementado sempre que necessário pelos Rx intra-orais ou pelo RVG, enquanto que os demais atrás referidos serão só de propor em casos especiais.
                    c) Despiste de cáries incipientes e portanto ainda não sintomáticas, com muito maior facilidade em ser tratadas, quantas vezes sem necessidade de recurso á anestesia, com muito mais respeito pela conservação das estruturas duras dos dentes e com muito menor despesa;
                   d) Higienizações em consultório, com ensinamento e sensibilização para os hábitos regulares de higienização no domicílio, não só oral como alimentar e ensinando ou corrigindo técnicas de escovagem;
                    e) Aplicação de fluoretos em consultório, em especial nos grupos de maior susceptibilidade ou risco; 
                   f) Selamento de fissuras nos dentes recentemente erupcionados e sem sinais ainda de lesão, em particular os 1ºs. molares definitivos; 
                   g) Despiste e tratamento de gengivites, como precursoras de futura doença periodontal, ou pelo menos aceleradoras de perda óssea alveolar, com subsequente falência dos tecidos de suporte dos dentes.

                    Agora no que diz respeito á DOENÇA PERIODONTAL, é uma situação patológica, que se caracteriza essencialmente, por uma gengivite generalizada, ou seja um processo inflamatório da mucosa gengival que reveste o osso dos maxilares onde se encontram os dentes implantados nos respectivos alvéolos, e cujo estabelecimento deste processo de uma forma crónica, leva por múltiplos factores que se lhe encontram associados á degeneração do osso alveolar, com perda do mesmo, e como consequência de tais factos leva á falência dos tecidos de suporte das peças dentárias, constituídos precisamente por esse osso e mucosa gengival que o reveste, levando a um grande mau estar de quem sofre de tal doença, causado não só pelo grande desconforto que é o sentirem os dentes com mobilidade e incapazes de desempenharem a sua função mastigatória, fazendo processos infecciosos localizados (Bolsas Periodontais) ou mesmo generalizados (Vulgar “Piorreia”), acompanhados de dor, sangramento fácil e emissão de pus, para já não falar do mau hálito de que normalmente também se faz acompanhar. A perda espontânea ou avulsão espontânea dos dentes, que perdem na totalidade o seu suporte ósseo alveolar é frequente, e como já deverão estar a depreender a perda óssea, chega a ser de tal forma importante que deixa de haver possibilidade de serem adequadamente reabilitados com próteses, por falta de suporte para as mesmas.
                    Esta doença pode surgir ainda em jovens, mas é sobretudo própria dos adultos com uma incidência maior a partir dos 40 anos, fortemente agravada pelos maus hábitos de higiene oral e falta de controlo adequado e periodicamente em consultório, pelo hábito de fumar, sem esquecer o processo de degeneração da massa esquelética geralmente associada á idade, conhecida por doença osteoporótica, que na mulher é agravada pela entrada na menopausa e no homem se prende mais com o sedentarismo. 
                   As acções que o Médico Dentista pode desenvolver neste caso, no âmbito da prevenção, são: 
                  a) Manter altos níveis de higiene oral através de higienizações em consultório, com ensinamento e sensibilização para os hábitos regulares de higienização no domicílio, não só oral como alimentar e ensinando ou corrigindo técnicas de escovagem;
                 b) Manter um bom equilíbrio oclusal, se houver perdas importantes de dentes, recorrendo á colocação de próteses adequadas;
                 c) Não deixar de pesquisar e tratar cáries, que nestes grupos etários são mais frequentes em áreas como o colo e a raiz dos dentes, enquanto em idades mais jovens são mais frequentes nas coroas, e sendo assim muitas vezes é necessário proceder ao tratamento endodôntico radical (TER) dos dentes atingidos por essas cáries, que se tornam muito sensíveis, pelas próprias exposições radiculares, para já não falar nas lesões abrasivas;
                 d) Aconselhar quanto á higiene alimentar e mesmo a forma de fazer a apreensão dos alimentos, nomeadamente a forma de os trincar, particularmente com os grupos incisivos;
                 e) Motivar as pessoas para o abandono de certos hábitos como o TABAGICO, e recorrer a colutórios anti-sépticos, no sentido destes chegarem onde os meios físicos de higienização não chegam.
                 Não podemos esquecer, ou deixar de lembrar que mesmo nestes casos o seguimento constante desde criança é uma das melhores formas de melhor combater esta doença, que depois de estabelecida será impossível no momento revertê-la. No entanto, como em qualquer doença crónica estabelecida, o facto de se não conseguir a cura, leva-nos a tratá-la por forma a reduzir ao máximo a sua progressão, por vezes catastrófica, proporcionando desse modo uma melhor qualidade de vida, durante muito mais tempo.

                    Finalmente o caso dos TRAUMATISMOS, que para o vulgo poderá levar a pensar que o Médico Dentista não terá nada a fazer a não ser intervir quando a fatalidade acontece, recorrendo á medicina curativa, queremos dizer-lhe que até aqui a Medicina Preventiva tem uma palavra a dizer, senão vejamos.
                   Os traumatismos podem ser de dois tipos:
                  1) TRAUMATISMOS ENDÓGENOS, ou seja, os traumatismos causados pelo próprio aparelho estomatognático, normalmente relacionados por Más Oclusões ou desvios dos dentes que tornam a sua própria articulação agressiva para os seus antagonistas, ou mesmo em disfunções com bruxomania, em que o processo chega a ser de tal forma violento que se não for interceptado acaba por levar ou á fractura, ou á perda dos dentes traumatizados no primeiro caso e ao desgaste patológico das coroas dos dentes duma forma generalizada no segundo caso, ou seja dos bruxomanos.
                 As acções que o Médico Dentista pode desenvolver neste caso, no âmbito da prevenção, são:
                 Nos primeiros casos de Má Oclusão ou desvio traumático dos dentes, recorrendo á correcção dos desvios dento-facias, ou a desgastes selectivos para acerto oclusal, enquanto nos casos de Bruxomania, recorrendo á utilização e controlo de goteiras de relaxamento.
                2) TRAUMATISMOS EXÓGENOS, ou seja, aqueles cujos factores desenca-deantes são traumatismos externos, sejam eles acidentais, ou desportivos.
                 As acções que o Médico Dentista pode desenvolver neste caso, no âmbito da prevenção, são:
                 Nos traumatismos acidentais, não há nada a fazer, mas já nos traumatismos desportivos, caso dos praticantes de boxe, podem ser confeccionadas goteiras de mordida, ou então recorrer a mascaras acopladas a capacetes como no caso do hóquei em patins, no hóquei no gelo e no desporto motorizado.

publicado por clinicadrsilvioribeiro às 11:53

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